A Fundação João Mangabeira (FJM) realizou na noite da última quinta-feira, 18, mais uma edição de seu ciclo de diálogos de formação política, desta vez dedicada ao tema “O voto das juventudes”. O debate ocorreu de forma online e reuniu lideranças jovens do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de diversas regiões do país, além de pesquisadores, dirigentes partidários e militantes interessados em compreender os desafios da participação política das novas gerações.
Na abertura do encontro, o presidente da Fundação João Mangabeira, Carlos Siqueira, destacou a importância estratégica do tema para o campo progressista. Segundo ele, o debate não se limita à disputa eleitoral. “Não é apenas um debate que visa a conquista de voto, embora também seja isso, mas é um debate que visa compreender como vive a juventude brasileira, quais são as juventudes, quais são as suas aspirações, seus problemas e seus espaços”, afirmou.
Siqueira também alertou para o avanço de novas lideranças conservadoras entre os jovens e defendeu o fortalecimento da formação política. “A esquerda brasileira está muito desafiada a fazer uma formação política intensiva da sua juventude”, ressaltou, lembrando que o objetivo é estimular uma geração comprometida com transformações profundas na sociedade.
O coordenador de formação política da Fundação João Mangabeira, Domingos Leonelli, ao apresentar o encontro, reforçou uma visão histórica do partido sobre o papel da juventude na política brasileira. “A juventude é sempre revolucionária, a juventude é transformadora”, afirmou, destacando ainda sua relevância como segmento decisivo do eleitorado nacional.
A exposição principal foi conduzida pela professora e psicanalista Virgínia Cremasco, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que apresentou uma análise sobre o perfil psicológico e social das juventudes brasileiras. Ao longo da apresentação, ela enfatizou a necessidade de compreender os jovens como um grupo plural. “A gente fala em termos de juventudes no plural”, observou, argumentando que fatores como classe social, gênero, raça e território produzem experiências muito distintas entre os jovens brasileiros.
Ao concluir sua fala, Cremasco chamou atenção para os paradoxos vividos pelas novas gerações. “O jovem brasileiro de hoje vive um tempo de paradoxo: é conectado, mas se sente só; é criativo, mas tem uma grande insegurança de se expor; é informado, mas tem uma grande desconfiança nas instituições”, afirmou. Para ela, a principal angústia da juventude está relacionada às incertezas sobre trabalho, futuro e pertencimento social.

Representando a Juventude Socialista Brasileira (JSB), o presidente nacional Bruno Barreto destacou a importância da discussão para aproximar o partido das novas gerações. Segundo ele, “são momentos como esse que acabam deixando o nosso partido bem mais vivo e bem mais ativo”, permitindo que a militância participe dos debates e fortaleça seu sentimento de pertencimento.
Já o presidente da JSB do Rio de Janeiro, Wendler Ferreira, trouxe uma reflexão sobre o comportamento político da juventude contemporânea. Para ele, o aparente crescimento de posições autoritárias entre parte dos jovens não elimina sua vocação transformadora. “Essa guinada que parece ao autoritarismo continua ainda sendo uma faísca da essência revolucionária (…) própria da essência da juventude”, afirmou.
Além das exposições de Virgínia Cremasco e das intervenções das lideranças jovens, o jornalista e especialista em comunicação digital Ricardo Mutti apresentou os resultados de uma pesquisa sobre o comportamento eleitoral dos jovens e os desafios da comunicação política nas redes sociais.
O encontro integrou o programa de formação política da Fundação João Mangabeira e reforçou a preocupação do PSB em compreender as transformações culturais, tecnológicas e sociais que influenciam o comportamento das juventudes brasileiras, especialmente diante das eleições de 2026. Nos últimos meses, a Fundação vem promovendo discussões sobre temas contemporâneos como o voto das mulheres chefes de família, o voto dos evangélicos e os desafios da utilização de ferramentas digitais nas campanhas eleitorais, buscando oferecer subsídios para a reflexão e a atuação política do PSB em todo o país.







