A Fundação João Mangabeira realizou, na noite desta quinta-feira (11), mais uma edição da série de diálogos sobre comportamento eleitoral e formação política. O encontro, realizado de forma totalmente online, teve como tema “O PSB e o voto das mulheres chefes de família” e reuniu lideranças partidárias, pesquisadores, militantes e representantes de segmentos organizados do partido de todo o país.
A atividade integra um conjunto de debates baseados em pesquisas sobre o novo perfil do eleitorado brasileiro, desenvolvidas pela Fundação João Mangabeira (FJM). O evento contou com a participação do presidente nacional da FJM, Carlos Siqueira, da cientista política e socióloga Esther Solano, do jornalista e consultor em comunicação política Ricardo Mucci e do coordenador de formação da Fundação João Mangabeira, Domingos Leonelli. Também registraram presença a deputada federal Lídice da Mata (BA), a secretária nacional de Mulheres do PSB, Dora Pires, e a dirigente do PSB Inclusão, Luciana Trindade, entre outras lideranças partidárias.
Ao abrir o encontro, Carlos Siqueira destacou a relevância estratégica do segmento para a política brasileira.
“A mulher brasileira sobre a qual estamos debatendo hoje é sobretudo a mulher chefe de família. Há milhões de mulheres que são chefes de família e esse público foi estudado especificamente na pesquisa encomendada pela Fundação João Mangabeira.”
O presidente nacional da FJM também ressaltou a importância da participação das mulheres na vida política e eleitoral do país.
“Há muitas mulheres candidatas a deputada federal, há muitas mulheres candidatas a deputadas estaduais e temos uma previsão muito positiva de ampliar a representação feminina do PSB.”
Ao encerrar sua fala inicial, Siqueira destacou a necessidade de compreender melhor esse eleitorado.
“É importante que candidatos e candidatas possam entender melhor esse público tão especial que são as mulheres chefes de família em todo o país.”

Escuta, cuidado e políticas públicas
Em sua exposição, Esther Solano apresentou reflexões baseadas em pesquisas qualitativas realizadas com mulheres chefes de família em diferentes regiões do Brasil. Segundo ela, um dos principais desafios da política é ouvir e compreender as demandas concretas desse segmento.
“A primeira coisa que elas me dizem é: ninguém se importa conosco. Procura nosso voto, mas ninguém se importa de fato em entender o que nos preocupa e o que nos acontece.”
A pesquisadora destacou ainda a necessidade de ampliar o debate sobre maternidade e infância a partir da perspectiva das políticas públicas.
“Temos que retomar o tema da maternidade a partir das políticas públicas. Muitas mulheres dizem que gostariam de ver políticos falando mais sobre creches, cuidado das infâncias e conciliação da vida familiar.”
Outro ponto enfatizado por Esther foi a invisibilidade de problemas cotidianos enfrentados por essas mulheres.
“A maioria dos problemas que elas sofrem cai na invisibilidade. Cuidar dos filhos, a segurança no deslocamento, a saúde mental, tudo isso acaba ficando invisível para a política.”
Um eleitorado decisivo
Na segunda parte do encontro, Ricardo Mucci apresentou dados da pesquisa realizada pela Fundação João Mangabeira e destacou a centralidade das mulheres chefes de família na composição do eleitorado brasileiro.
Segundo ele, mais de 41 milhões de lares brasileiros são liderados por mulheres e esse segmento combina valores conservadores com forte demanda por proteção social e serviços públicos eficientes.
Mucci ressaltou que a comunicação política precisa dialogar com a realidade concreta dessas mulheres.
“Essa mulher não quer ser retratada como vítima do sistema. Ela é uma guerreira. Sustenta uma família sozinha num país com estruturas que não foram feitas para ela.”
Ao longo do debate, os participantes discutiram temas como creches, saúde mental, segurança pública, violência contra as mulheres, acesso a políticas sociais, desigualdade salarial, endividamento das famílias e os impactos das apostas online na organização financeira dos lares.
O encontro faz parte da série de diálogos promovida pela Fundação João Mangabeira para subsidiar a atuação política do PSB e aprofundar o conhecimento sobre diferentes segmentos do eleitorado brasileiro.






