A Fundação João Mangabeira (FJM) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) realizaram, na noite desta quinta-feira, 28/05, mais uma edição da série Diálogos de Formação, desta vez dedicada ao tema “O PSB e o voto das pessoas idosas”. O encontro virtual reuniu lideranças, militantes e dirigentes partidários de diversas regiões do país para discutir os desafios políticos, sociais e comunicacionais relacionados ao eleitorado com mais de 60 anos.
A atividade contou com a participação do presidente da Fundação João Mangabeira, Carlos Siqueira, responsável pela condução do debate; do cientista político e professor Paulo Baía; do jornalista e publicitário Ricardo Mucci; além do coordenador de formação da FJM, Domingos Leonelli.
Durante a abertura, Carlos Siqueira destacou que os debates fazem parte de um amplo esforço da Fundação para compreender as mudanças do perfil do eleitorado brasileiro. Segundo ele, a pesquisa encomendada pela FJM busca analisar as transformações sociais, econômicas e culturais ocorridas no país desde 2013 e aprofundadas a partir de 2018.
“Nós percebemos uma grande e profunda mudança no perfil do eleitorado brasileiro. Isto precisa ser entendido de maneira científica”, afirmou.
Em outro momento, o presidente da Fundação ressaltou a importância de compreender o eleitorado idoso não apenas para conquistar votos, mas para construir políticas públicas mais efetivas.
“É importante ganhar o voto com o objetivo de transformar a sociedade brasileira e melhorar as condições de vida da pessoa idosa e de toda a população do nosso país”, declarou Carlos Siqueira.
O professor Paulo Baía apresentou uma análise detalhada sobre o crescimento do eleitorado idoso no Brasil. Segundo ele, as pessoas com mais de 60 anos já representam cerca de um quarto do eleitorado brasileiro, tornando-se um segmento decisivo nas eleições.
Para o cientista político, trata-se de um público ativo, experiente e profundamente conectado às transformações do país.
“O eleitor de 60 anos ou mais representa quase 25% do eleitorado brasileiro”, destacou Paulo Baía.
Ele também observou que esse eleitorado possui forte presença comunitária e religiosa, além de papel fundamental na sustentação econômica das famílias brasileiras.
“Os idosos não são contra o sistema. Eles estão cansados e querem tranquilidade diante das dificuldades vividas por filhos e netos”, afirmou.
Já o jornalista e publicitário Ricardo Mucci concentrou sua exposição nas estratégias de comunicação e mobilização política voltadas ao público idoso. Ele alertou que o segmento ainda é frequentemente subestimado pelas campanhas eleitorais, apesar de sua dimensão e relevância política.
“O idoso é o eleitor subestimado”, afirmou Mucci ao destacar que o grupo reúne mais de 36 milhões de brasileiros.
Segundo ele, o eleitorado idoso valoriza discursos simples, autênticos e conectados às experiências concretas da vida cotidiana. Saúde pública, aposentadoria, medicamentos, segurança e convivência social aparecem entre as principais preocupações desse público.
Mucci também destacou quais são hoje os meios de comunicação mais importantes para dialogar com as pessoas idosas. O WhatsApp foi apontado como a principal ferramenta de comunicação cotidiana, especialmente em grupos de família, vizinhança e comunidades religiosas. O YouTube aparece como espaço relevante para conteúdos mais longos e explicativos, enquanto Facebook e Instagram continuam tendo forte presença entre pessoas acima de 60 anos.
Além das redes sociais, o publicitário enfatizou que a televisão segue sendo decisiva para esse público, sobretudo entre pessoas com mais de 50 anos, e que o rádio ainda mantém grande influência em cidades pequenas e médias.
“O canal dominante é o WhatsApp”, ressaltou Ricardo Mucci ao defender estratégias específicas de comunicação digital para esse eleitorado.
Em outro trecho, ele afirmou que: “A televisão ainda é decisiva”, especialmente para a população mais velha, que mantém forte vínculo com os meios tradicionais de comunicação.
Ao final do encontro, Domingos Leonelli ressaltou a importância da relação intergeracional para a construção de um projeto político transformador e democrático.
“O que pode ligar a juventude à velhice, os jovens aos mais velhos, são as ideias. Nós defendemos o socialismo democrático e criativo e isso pode juntar velhos e jovens”, afirmou Leonelli.
O coordenador de formação da Fundação também destacou o papel do PSB na defesa de um projeto moderno e comprometido com mudanças estruturais no país.
“Nós queremos ser um partido modernamente revolucionário. Nós propomos que o Brasil seja uma potência criativa e sustentável”, declarou.
O debate também abordou os impactos das fake news sobre o eleitorado idoso e a necessidade de ampliar políticas de inclusão digital, convivência comunitária e valorização da longevidade. Os participantes defenderam que as campanhas eleitorais desenvolvam propostas concretas voltadas à proteção social, mobilidade urbana, saúde e combate ao etarismo.
O evento reuniu lideranças políticas, vereadores, pré-candidatos, dirigentes partidários, representantes da juventude socialista e militantes de diversas regiões do Brasil, consolidando o espaço como um importante fórum nacional de discussão sobre o futuro da democracia, da comunicação política e da participação das pessoas idosas nas eleições brasileiras.
Livro sobre o eleitorado brasileiro
Carlos Siqueira também anunciou durante o encontro o lançamento de um novo livro, “O novo perfil eleitoral do Brasil, como pensa e como vota o brasileiro”, que será no próximo dia 18 de junho, na Livraria Travessa. A publicação reforça o compromisso da Fundação João Mangabeira com a produção de conhecimento e o debate político qualificado.
“Todos nós sabemos que, desde 2013, e mais profundamente, a partir de 2018, nós percebemos uma profunda mudança no perfil do eleitorado brasileiro. Isto precisa ser entendido de maneira científica”, afirmou Siqueira.
A publicação busca contribuir para a reflexão sobre os desafios contemporâneos do Brasil, especialmente diante das transformações sociais, econômicas e culturais que impactam diretamente a democracia e o comportamento do eleitorado brasileiro







