
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, fez um apelo para que as nações adotem metas mais ousadas no combate ao aquecimento global e reafirmou o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a cooperação internacional nas negociações climáticas. A declaração foi dada durante a abertura oficial da pré-COP30, em Brasília, nesta segunda-feira (13), último encontro preparatório para o evento, a ser realizado no próximo mês, em Belém.
Responsável por abrir o encontro, Alckmin ressaltou a necessidade de aproximar o debate sobre as mudanças climáticas da vida cotidiana das pessoas. “Convoco a todos e todas a compartilharmos essa preocupação ambiental e esse amor ao próximo não apenas ao nosso discurso, mas em ações concretas, em benefício a toda a comunidade internacional e como legado a gerações futuras”, afirmou. “O Brasil chega à COP30 como país que acredita em ética, sustentabilidade e responsabilidade. Esperamos o comprometimento da comunidade internacional”, completou.
O evento reúne negociadores de clima e ministros de diversos países como objetivo reduzir divergências e alinhar posições diplomáticas antes das negociações principais.
Alckmin defendeu a meta de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Ele disse que grande parte das emissões de gases de efeito estufa no Brasil vem do desmatamento, mas ponderou que nos últimos dois anos e meio o país alcançou queda de quase 50% na destruição da Amazônia. “A meta é desmatamento ilegal zero, até 2030”, afirmou, destacando que a recomposição da floresta tem sido financiada com recursos que já estão sendo disponibilizados, principalmente através do Fundo do Clima.
COP30
Geraldo Alckmin destacou que a presidência brasileira da COP30 será guiada por três pilares centrais: o fortalecimento do multilateralismo, a aproximação do regime climático com a vida cotidiana das pessoas e a aceleração da implementação do Acordo de Paris, assinado em 2015.
“Com esse espírito, definimos os três objetivos principais da presidência brasileira: fortalecer o multilateralismo e o regime climático, conectar o tema às realidades do dia a dia e impulsionar a aplicação do Acordo de Paris”, declarou.
O presidente em exercício também ressaltou o papel estratégico do Brasil diante dos três grandes desafios do século 21 — segurança alimentar, segurança energética e combate às mudanças climáticas — e apresentou o país como exemplo de transição energética bem-sucedida. “Enquanto, no mundo, cerca de 30% da energia elétrica é gerada por fontes renováveis, no Brasil esse índice chega a 80%”, afirmou.
Alckmin afirmou que o Brasil deve manter sua posição de destaque como referência em políticas de apoio à transição energética. Ele citou iniciativas recentes, como o Programa Mover (Mobilidade Verde), que incentiva a produção de veículos com menor emissão de carbono, e a Lei do Combustível do Futuro, que define metas obrigatórias de descarbonização para o setor aéreo — começando com a exigência de 1% de uso de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) em 2027, com aumento gradual até atingir 10% em 2037.
Metas
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Alckmin ressaltou que a NDC do Brasil prevê a redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa de 59% para 67% até 2035, em comparação com os níveis de 2005, percentuais que equivalem, segundo ele, a 870 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de carbono.
“O Brasil reconhece a crise climática e quer uma meta realista de emissões que concilie crescimento econômico e transição energética, com compromisso de desenvolvimento sustentável. O país tem papel fundamental nas três grandes questões do século: segurança alimentar, segurança energética e combate às mudanças climáticas”, disse.
Alckmin também ressaltou que, enquanto globalmente cerca de 30% da energia elétrica é gerada a partir de fontes renováveis, no Brasil esse índice alcança 80%.






