O secretário de Relações Internacionais do PSB, Paulo Bracarense, representou a Fundação João Mangabeira (FJM) nesta quinta-feira (30) no terceiro encontro online da EU-LATAM Progressive Think Tanks Network, rede que reúne instituições europeias e latino-americanas. O tema central foi a escalada global da extrema direita.
O evento foi conduzido por Maya Laurens, da Fondation Jean-Jaurès (França), e moderado por Christian Salm, da Foundation for European Progressive Studies (Feps). Três especialistas internacionais apresentaram análises sobre os impactos institucionais e sociais do avanço de movimentos radicais.
Gábor Scheiring, professor da Georgetown University Qatar e ex-deputado pelo Parlamento da Hungria, tratou do ecossistema transnacional da direita radical, com foco nas conexões entre o governo de Viktor Orbán, na Hungria, e a gestão de Donald Trump, nos Estados Unidos.
Jean-Jacques Kourliandsky, diretor do Observatório da América Latina e Caribe da Fondation Jean-Jaurès, analisou as articulações entre grupos da América Latina e da Europa. Destacou o papel estratégico do partido espanhol Vox e de sua Fundação Disenso nesse intercâmbio político.
O painel contou ainda com Cristóbal Rovira Kaltwasser, professor do Instituto de Ciência Política da Pontifícia Universidade Católica do Chile (PUC-Chile). O acadêmico discutiu se a extrema direita constitui um fenômeno genuinamente global e ofereceu perspectiva comparada entre os dois continentes, com ênfase nas particularidades do caso brasileiro.
Para Bracarense, a participação nesses espaços é estratégica para orientar os trabalhos da FJM no Brasil. “Essa troca de informações sobre a conjuntura dos países da América Latina e da Europa é fundamental, particularmente agora, com o crescimento da extrema direita nas duas regiões. A rede aprofunda o pensamento progressista e contribui para a formulação de políticas públicas e para a formação da militância”, disse Bracarense”, afirmou.
A EU-LATAM Progressive Think Tanks Network funciona como plataforma de articulação estratégica e produção intelectual. O grupo reúne centros de pensamento vinculados a partidos progressistas, social-democratas e socialistas para formular respostas a desafios comuns, como a defesa da democracia, o combate à desigualdade, a transição ecológica e os impactos das novas tecnologias.
Além da Fundação João Mangabeira, participam da rede a Foundation for European Progressive Studies (Feps), principal articuladora europeia, a Progressive Alliance e a Fundación Pablo Iglesias, somando-se ainda instituições como a Friedrich Ebert Foundation, a Fondation Jean-Jaurès, a Fabian Society, a Fundación Felipe González, a Fundación Perseu Abramo, o Centro de Implementación de Políticas Públicas para la Equidad y el Crecimiento e a EU-LAC Foundation, entre outras organizações e centros de pesquisa que integram, de forma dinâmica, essa articulação birregional voltada à promoção de agendas progressistas, cooperação internacional e formulação de políticas públicas.
O encontro também destacou o caso húngaro como exemplo das distinções internas à direita contemporânea. Embora o país seja frequentemente associado ao modelo autoritário de Orbán, o debate sinalizou que a direita que hoje disputa espaço na Hungria apresenta características distintas daquele período. O ponto central da discussão foi a contradição entre a preservação da democracia e o avanço de regimes totalitários; tensão que, segundo os participantes, define uma das principais tarefas do campo progressista. A necessidade de construir um diálogo amplo com a direita democrática emergiu como caminho estratégico para enfrentar esse desafio.
“A manutenção da democracia é uma das principais tarefas dos progressistas hoje. O debate mostrou a necessidade de estabelecermos um diálogo amplo com a direita democrática para enfrentar o avanço de estados totalitários”, concluiu Bracarense.







