A Fundação João Mangabeira (FJM) promoveu, na noite de terça-feira (17), em Brasília, um encontro com a bancada do Partido Socialista Brasileiro (PSB) para apresentar dados da pesquisa “Como Pensa o Eleitor Brasileiro”.

Além dos deputados federais e do líder da bancada, Jonas Donizette (PSB-SP), participaram, a convite do presidente da FJM, Carlos Siqueira, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França.

Durante o encontro, o professor Paulo Bracarense, curador de projeto da pesquisa apresentou a metodologia da pesquisa e destacou alguns dos principais achados. “Na primeira etapa, foi realizada uma meta-análise, ou seja, um processo estatístico que envolve uma revisão estruturada da literatura, com uso de métodos quantitativos para levantar hipóteses”, explicou o professor de Estatística da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A meta-análise foi conduzida concomitantemente à aplicação do método “Formiga”, desenvolvido por Marcus Nogueira e Fernanda Sarkis, que analisaram as redes sociais digitais. Na sequência, foi realizada uma pesquisa qualitativa com 144 temas levantados em todo o país. Também foram conduzidos 36 grupos focais, organizados em três segmentos: juventudes, mulheres chefes de família e evangélicos.

Além disso, foi realizada uma pesquisa quantitativa com 2.240 entrevistas em todo o Brasil, com margem de erro de 2,2%. O estudo incluiu ainda análise de sentimento com o uso de inteligência artificial.
O pesquisador Marcus Nogueira apresentou a metodologia “Formiga”, baseada no estudo das fontes de informação, na análise do discurso e na Teoria do Ator-Rede (TAR). “Do ponto de vista da TAR, o eleitor é um efeito de rede. O jovem de direita, a mulher chefe de família e o evangélico são resultados provisórios de uma rede que nos recruta, equipa, disciplina, emociona e dá linguagem”, explicou. Nogueira também abordou fenômenos como o bolsonarismo, o crescimento da internet no Brasil e seus impactos no cenário político contemporâneo.

Durante o encontro, Carlos Siqueira destacou a necessidade de a esquerda definir pautas conjuntas e defendê-las de forma coordenada. Para o presidente da FJM, o debate sobre comunicação digital vai além das ferramentas. “A comunicação digital não é apenas uma questão instrumental, mas também de ideias”, afirmou.

A deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) ressaltou que a internet é um espaço de disputa por atenção. “Precisamos chamar a atenção respeitando os limites morais e éticos que temos”, disse. Ela também destacou a importância de o PSB construir “um ecossistema de narrativas compartilhadas”, no qual lideranças do partido se apoiem mutuamente nas redes, independentemente da região do país.

Seguindo a linha de sua antecessora, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) reforçou a importância de o partido estruturar uma rede de comunicação capaz de atuar de forma imediata na defesa de suas posições. Segundo ela, é fundamental compreender o funcionamento das redes sociais. “Às vezes, você diz a mesma coisa de formas diferentes: uma viraliza, outra não. Quando há uma direção clara, conseguimos enfrentar os desafios e obter resultados”, afirmou.

O líder da bancada do PSB, deputado Jonas Donizette (PSB-SP), destacou a afinidade da juventude com a internet e o surgimento de novas lideranças políticas a partir das redes sociais. Ele também mencionou desafios contemporâneos discutidos no Congresso Nacional, como o fenômeno Red Pill — associado à misoginia e ao discurso de ódio — e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Segundo ele, é necessário equilíbrio para garantir direitos sem restringir oportunidades de trabalho.

Para o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), a pesquisa evidencia a forte influência da religiosidade e da família na vida dos brasileiros. Ele também destacou o crescimento do individualismo em parte da população e citou a pesquisa “O Brasil no Espelho”, coordenada por Felipe Nunes, com 10 mil questionários. “É impressionante que, nessa pesquisa, a maior parte da população se posiciona contra políticas de assistência social”, afirmou.
Participaram do encontro, além de Jonas Donizette, Tábata Amaral, Lídice da Mata e Rodrigo Rollemberg, os deputados Bandeira de Mello (PSB-RJ), Duarte Jr. (PSB-MA), Eriberto Medeiros (PSB-PE), Felipe Carreras (PSB-PE), Gervásio Maia (PSB-PB) e Heitor Schuch (PSB-RS); a deputada em exercício Elisângela Araújo (PT-BA); o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Capelli; o vice-presidente da FJM, Floriano Pesaro, a diretora financeira da FJM ,Amanda Sobreira; e a secretária nacional da Negritude Socialista Brasileira (NSB), Valneide Nascimento.






