Duas grandes emoções na noite de 25 de outubro. A primeira foi a virada histórica e inédita nas urnas, fruto do levante popular liderado pela juventude brasileira que derrotou de uma só vez a ultradireita bolsonarista, o imperialismo norte americano, as bigtechs e a Faria Lima.
A segunda foram as falas de Lula sobre um novo “jeito de governar”. Esse novo jeito seria decorrência do grande movimento nas ruas e nas redes sociais que transformou o segundo turno das eleições de 2026 em algo próximo de uma verdadeira revolução democrática.
Parece que a extraordinária articulação das ruas e das redes sociais abriram os olhos de Lula para o que Manuel Castells chama de “sociedade em rede”. E agradecendo ao “general” André Janones, ele até já adquiriu um telefone celular.
Tanto no Hotel Continental como na Avenida Paulista, Lula recorreu a palavra revolução varias vezes. Revolução na educação com a universalização das escolas em tempo integral, revolução energética, revolução do SUS, revolução tecnológica.
Lula também falou da criatividade, esse novo fator da economia do conhecimento resultante da revolução tecnológica. Ele disse que vai “exercitar o potencial criativo desse povo para o Brasil deixar de ser um país periférico. Queremos ser um país central.” Quase que enuncia literalmente a proposta do PSB absorvida no excelente Programa de 2026 do Governo Lula-Alckmin, coordenado por Jose Sergio Gabrielli, que sugere o slogan “Brasil, Potencia Criativa e Sustentável”.
E como que desenhando o seu quarto mandato presidencial referiu-se à economia digital, à economia verde e à economia criativa, certamente englobando nessa última a economia da cultura. Na economia verde o aproveitamento sustentável da biodiversidade da Amazônia. E na economia digital a transição digital da indústria e a Inteligência Artificial brasileira já iniciadas no programa Nona Industria Brasil tocada por Alckmin, MDIC e por Mercadante no BNDES.
O grande valor dessas referencias é que foram feitas num momento de grande emoção. Prova de que estão contidas num novo repertório do Presidente. Isso é muito bom.
Juntando essas novidades aos compromissos assumidos durante a campanha com a efetiva soberania nacional (tecnológica e digital), a industrialização das terras raras, os investimentos nas indústrias de defesa, a ampliação da infraestrutura logística e do apoio ao empreendedorismo que representa mais de 90% das empresas brasileiras, teremos o desenho de um verdadeiro Projeto Nacional de Desenvolvimento. Um plano estratégico para os próximos 20 anos do Brasil.
O Projeto Nacional de Desenvolvimento é, com certeza, o maior legado que o Presidente Lula pode deixar para as próximas gerações.
Entretanto para iniciar a sua implantação o governo Lula-Alckmin precisará enfrentar pelo menos dois grandes obstáculos: o sistema financeiro voltado para o rentismo improdutivo e o patrimonialismo fisiologista e corrupto que deformou a política e o parlamento brasileiro.
O poderoso sistema financeiro brasileiro precisará ser redirecionado para financiar e ganhar dinheiro com atividades produtivas e não com as maiores taxas de juros do mundo. Sabemos que isso não é fácil considerando o poder real desse sistema em relação às estruturas políticas e de comunicação. Por isso a mobilização popular com a qual Lula deverá contar neste governo, precisa se dar no terreno mais concreto e visível que são os elevadíssimos juros sobre dividas e principalmente sobre cartões de crédito.
Quanto à política e ao parlamento, eles não se autorefomarão por vontade própria. Mas o fim da jornada 6×1 já nos mostrou o caminho: pressão e mobilização.
O Exército de Lula, por exemplo, deverá evoluir da guerrilha eleitoral, ou guerra de movimento, para a guerra de posição em torno de grandes temas do desenvolvimento e da emancipação popular.
Claro que para iniciar a implantação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento é preciso em primeiro lugar formulá-lo com clareza e alguma precisão, estabelecendo metas e prazos. O ponto de partida dessa formulação pode ser o já referido Programa de Lula-Alckmin 2026.
Concomitante à formulação é preciso criar, criativamente, o arsenal de comunicação politica em vários níveis. Desde artigos e textos, discursos de parlamentares, pronunciamentos de autoridades até os cards, recortes e vídeos curtos para redes sociais.
Assim, a soma das revoluções pacificas e democráticas propostas por Lula para a educação, a tecnologia, o SUS, poderiam ser sintetizadas num grande slogan já criado por Caio Prado Junior: Revolução Brasileira.
O Projeto Nacional de Desenvolvimento poderia ser definido como a construção de um Brasil Potencia Criativa e Sustentável.
Enfim o principal legado que o governo Lula-Alckmin, pode deixar ao fim de dos próximos quatro anos é um projeto nacional de desenvolvimento. Um revolução pacifica e democrática em curso.
Domingos Leonelli
Ex deputado federal e coordenador de Formação Politica da Fundação João Mangabeira – PSB





