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quinta-feira 13 dezembro 2018
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O papel da China

RENATO CASAGRANDE

Presidente da Fundação João Mangabeira

Uma civilização milenar; um dos maiores países em extensão; o maior em população: 20% da população mundial; uma das maiores economias do planeta, posição alcançada após a ascensão de Deng Xiaoping, no fim da década de 1970, que promoveu as grandes reformas na economia e abriu o país para o mundo. O país saiu da periferia para a posição de superpotência mundial. Um exemplo: no início da década de 1970, os chineses tinham uma renda per capita quatro vezes menor que a do Brasil e, hoje, alcançaram a igualdade. Todas essas características fazem da China um país com posição de muito destaque no mundo.

Mas, mais do que ser destaque, é bom reconhecer que o país, sob o comando do presidente Xi Jinping, está buscando um protagonismo muito maior. Ser líder e poder influenciar a sociedade mundial. O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês, em outubro deste ano, aprovou o projeto de desenvolvimento até 2050. As diretrizes da decisão de outubro dialoga com a população chinesa, quando propõe que até 2020 sejam uma sociedade modestamente próspera, isto é, dar fim à pobreza que já caiu muito nos últimos anos — de 1978 até agora, 600 milhões de pessoas avançaram e saíram da pobreza. Até 2050, uma China moderna, com toda infraestrutura atendida e uma população próspera.

Dialogando com o mundo, o documento assume posição de defesa de uma comunidade global com o futuro compartilhado, pregando a cooperação, fim dos conflitos, onde a segurança virá com integração e cooperação; proteção do meio ambiente, reconhecendo que o planeta é nosso lar comum e com nações soberanas, onde suas decisões internas serão respeitadas, repudiando toda prática colonizadora e dominadora. Os chineses podem fazer essa pregação, pois nunca se deixaram colonizar e muito menos colonizaram outros países. Obviamente, o discurso não poderia ser outro. Está politicamente correto, mas muito bom que esses compromissos sejam assumidos por uma nação importante como a China, uma superpotência, que se coloca defendendo a harmonia planetária e registrando em documento oficial do Partido Comunista.

A China historicamente foi vocacionada para liderar, tanto que se autodenominou o “Império do Meio”, o país central, e conquistou, inicialmente na Ásia, o respeito histórico pela sua cultura, foco nos objetivos e persistência. Agora, tudo indica, querem exercer esse papel no mundo. O encontro que estou tendo a oportunidade de participar, representando o Partido Socialista Brasileiro e a Fundação João Mangabeira, organizado pelo governo e pelo Partido Comunista Chinês, é um exemplo desse esforço.

Quase 400 partidos e instituições de mais de 160 países, reunindo 800 dirigentes. Um diálogo, em Pequim, para apresentarem ao mundo seu plano estratégico de desenvolvimento de longo prazo e para deixar claro o papel que desejam exercer daqui para frente, aproveitando o vazio deixado pelos Estados Unidos, vulneráveis pelos sucessivos erros desde a eleição do presidente Trump. Uma liderança leve e respeitosa pode fazer bem ao mundo, que vive momentos de muito tensionamento pelas intervenções de nações fortes sobre as mais fracas. Esse encontro deve ser destaque também para reforçar a importância de as nações terem seus projetos de desenvolvimento, que apontem com clareza o caminho e os objetivos a serem alcançados. Que sirva de exemplo para o Brasil.

Fonte: Correio Braziliense

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