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sexta-feira 28 julho 2017
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Miguel Arraes é homenageado em sessão solene do Congresso Nacional

Humberto Pradera

Humberto Pradera

Homenagem – 13/12/2016

O centenário de nascimento do ex-governador de Pernambuco e ex-presidente do PSB, Miguel Arraes, foi celebrado em sessão solene conjunta do Congresso, na tarde desta terça-feira (13), no Plenário da Câmara dos Deputados. Pai Arraia, como era chamado pelo povo, completaria 100 anos no próximo dia 15.
A memória do socialista, sua história de vida e sua trajetória política foram lembradas por líderes do PSB, familiares de Arraes e parlamentares de diversos partidos, como PCdoB, PPS, PT, PMDB, PSC, Pros, PRB e Psol.

Participaram da sessão solene o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira; o vice-presidente institucional do PSB, Beto Albuquerque; o presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande; os líderes do PSB na Câmara dos Deputados e no Senado, Tadeu Alencar (PE) e Antônio Carlos Valadares (SE) respectivamente; os governadores de Pernambuco, Paulo Câmara, e do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg; o prefeito do Recife, Geraldo Julio; e a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) e filha do homenageado, Ana Arraes. Outros parlamentares, líderes dos movimentos sociais e filiados ao PSB também estiveram presentes.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, ressaltou que a generosidade e o amor pela humanidade distinguiam Miguel Arraes, como ser humano e como governante. “Já disse que Miguel Arraes foi um homem generoso. É preciso somar a essa virtude o fato de ter sido absolutamente fiel, em primeiro lugar, a sua própria indignação com a injustiça representada pela miséria. Foi fiel também ao povo, do qual foi um servidor incansável. Não fez política, portanto, para si. Ao contrário, fez da política uma forma de entregar especialmente às pessoas simples a riqueza de sua generosidade, seu excesso de vida, se assim me permitem dizer”.

Para Siqueira, as injustiças sociais abrem espaço para a sociedade fazer uma reflexão sobre a importância do legado de Miguel Arraes. “Muitas das demandas de justiça social já presentes ao longo da vida de Miguel Arraes permanecem amplamente irrealizadas em 2016, alimentando sonhos de que outro futuro é possível e desejável. É justamente essa grande brecha no tempo que preenche de sentido pensarmos em um legado como o que nos deixou Miguel Arraes”, declarou.

O presidente do PSB disse que a preocupação de Arraes com as causas populares eram fruto da indignação do líder político com as injustiças sociais. “Foi por isso que ele se ocupou das coisas simples e materiais, como água potável, esgoto sanitário, iluminação pública, eletrificação rural, melhoria nas relações de trabalho, no famoso acordo do campo, na saúde, na educação, na documentação da população”.

Carlos Siqueira ressaltou ainda o compromisso de Arraes com os mais pobres, sem se preocupar com votos. “O movimento de cultura popular, a alfabetização de adultos e o teatro eram estratégias da sua pedagogia, com a qual pretendia não exatamente se reeleger, mas fundar um povo soberano para realizar um projeto político amplo, inclusivo e fraterno, ou seja, o desenvolvimento do Brasil incluindo o povo”, disse.

Homem à frente do seu tempo, Arraes priorizou em seus governos a ciência, a tecnologia e a inovação, o que o levou a criar a primeira Secretaria de Ciência e Tecnologia do Nordeste, observou Siqueira. Enquanto governador de Pernambuco, Arraes investiu na produção de fármacos, fundou o primeiro laboratório farmacêutico da região e as farmácias populares. “Partiu de Arraes a ideia de ocupar o ministério da Ciência e Tecnologia no Governo Federal”, afirmou Siqueira.

O filho primogênito de Miguel Arraes, José Almino, falou em nome da família. Ele lembrou a trajetória de vida pessoal e política do pai e afirmou que Arraes não era de esquerda nem de direita na sua geração de politicamente ativos, mas que a pobreza do povo o fazia lutar pelo que acreditava. “Meu pai nunca foi nem uma coisa, nem outra. Com o risco de chocar, eu diria que ele nunca afagou utopia, não entretinha o sonho de sociedades ideais. Movia-o, no início, o estado de miséria de sua região e a precariedade de uma nação ainda informe, mal conduzida por um Estado ausente dos grandes problemas do povo. Cedo adquiriu firmeza de valores e de propósito, mas desconfiava das certezas proclamadas. Era um realista”, definiu.

Temas atuais

O presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, destacou que boa parte de sua vida política foi influenciada pelos ideais de Miguel Arraes. Para o ex-governador do Espírito Santo, entre os legados deixados por Arraes está a responsabilidade fiscal. Um tema vivo na atual conjuntura nacional. “Socialismo não combina com irresponsabilidade na área fiscal, com populismo”, disse. “Foi essa referência que o Dr. Arraes nos deu, de que ajuste fiscal não é o objetivo final de um gestor, não é o fim em si mesmo. O ajuste fiscal é um instrumento para fazer justiça, para melhorar a vida das pessoas. A política não tem razão de existir se não for para melhorar a vida das pessoas. A política só existe para melhorar a vida de quem precisa mais na administração pública”, completou Casagrande.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, também lembrou que Arraes era uma liderança destacada e que ele, na grave crise econômica, social e ética que o país vive atualmente, estaria presente na luta por melhores tempos. “Líder político estadual e nacional durante toda a segunda metade do século XX, Miguel Arraes estaria hoje nas primeiras trincheiras desse grande embate. Mas, como sempre, ele não cansaria de alertar que o objetivo principal é a luta pela integração nacional como fator indispensável à solução de problemas urgentes da população. Lutar ao lado do povo e compartilhar de suas dificuldades, priorizar os mais pobres na gestão pública, passados 100 anos, acredito que esse seja o maior legado político que nos deixou Miguel Arraes”, afirmou.

Já o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, lembrou que Miguel Arraes conhecia com profundidade a alma do povo e tinha uma visão de futuro impressionante. Um exemplo disso foi justamente a sua insistência para que o PSB assumisse o ministério de Ciência e Tecnologia, por meio do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. “A escolha do Ministério da Ciência e Tecnologia, que era desprezado por vários partidos, foi uma escolha de Miguel Arraes, que tinha essa visão de futuro, da necessidade de o País, por um lado, desenvolver essas tecnologias sociais”, lembrou. “Eu me lembro de um discurso de Miguel Arraes, em um Congresso Nacional do PSB, em que ele dizia que um dos grandes desafios do nosso País era unir o conhecimento produzido pela academia com o conhecimento produzido pelo povo, fazendo essa interação entre a academia e a população”, complementou.

O líder da bancada socialista na Câmara, o deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE), ressaltou que grandes líderes, como Arraes, fazem falta em momentos como os atuais, marcados por uma intensa crise política. “É neste momento difícil da vida brasileira que se fazem importantes pessoas com o pensamento de Miguel Arraes, que foi exilado, depois de ter sido prefeito e se escandalizado por não haver escola em Recife em 1960, quando o Brasil vivia momentos de um grande dinamismo econômico que não era distribuído para o povo”, destacou Alencar.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) apontou os pilares do pensamento de Arraes e que ainda hoje são seguidos pelo partido. A socialista destacou ainda o caráter internacionalista do líder político. “Arraes era um sertanejo do mundo, desenvolveu solidariedade internacionalista a todos os povos, inclusive no período do exílio. Ele e sua família são conhecidos de toda a resistência democrática na Europa, e de volta ao Brasil, se associou imediatamente a consolidação da ideia de reconstruir o Brasil com novas ideias, a um Brasil que saia da ditadura”. Lídice e Tadeu foram os proponentes da homenagem no Congresso.

Assessoria de Comunicação/PSB Nacional




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