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terça-feira 26 setembro 2017
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FJM investe para construir um retrato do PSB no Brasil

Aos poucos a Fundação João Mangabeira (FJM) está construindo um retrato do Partido Socialista Brasileiro(PSB) nas diferentes regiões brasileiras. Com o objetivo de pesquisar a história dos socialistas nos diversos estados da federação, a FJM lançou em agosto de 2016 o projeto “A História do PSB nos Estados brasileiros”. Nesta primeira edição foram selecionados os projetos dos estados de Alagoas, Amapá, São Paulo e Rio Grande do Sul, que estão recebendo financiamento para executar as pesquisas.

Para o presidente da FJM, Renato Casagrande “este projeto é uma maneira da gente contar a história do partido para que possamos crescer seguindo uma linha ideológica e programática que respeite toda essa história”.
 

O deputado federal Aurélio Vianna(PSB-AL) com lideres sindicais cariocas comemorando a sua eleição para o senado federal pelo estado da Guanabara em 1962.

 

O deputado estadual Aurélio Vianna (PSB) e o vereador José Sebastião Bastos (PSB-Maceió) em 1955 no Rio de Janeiro.

O projeto abre oportunidade de dar visibilidade à uma rica história que começou com um grupo de intelectuais engajados como os professores Antônio Cândido, Paul Singer, João Mangabeira e Sérgio Buarque de Hollanda, concentrados principalmente no eixo Rio-São Paulo e no nordeste, e hoje está presente em todos os estados da federação.

Os projetos ainda estão em andamento e deverão ser finalizados até o final do mês de março. Cada estado conta com uma equipe de até 3 pesquisadores e deverá apresentar um produto final que será composto de um texto histórico para publicação virtual e física por projeto, com referências das fontes de informação, podendo contemplar ainda inventários e acervos digitalizados, como documentos, fotografias, bem como produtos audiovisuais como vídeos e documentários.

 

Sobre os projetos

 

Em Alagoas a história do PSB tem início em 1950, pouco depois da fundação do Partido ocorrida em 1947. O fundador do PSB naquele estado foi o professore Aurélio Viana, um expoente importante do partido em nível nacional, além de eleger-se deputado estadual e federal pelo estado de Alagoas ele chegou a ser eleito senador pelo Estado da Guanabara. Segundo o coordenador da pesquisa no Estado, o historiador Geraldo de Majella de Moura Marques, o ponto alto do edital de pesquisa lançado pelo PSB é o fato de valorizar a história regional do partido sem privilegiar apenas os grandes centros urbanos. Ele informa que o processo de pesquisa tem sido bastante proveitoso,

“nós detectamos material que nunca foi pesquisado como as atas da Assembleia Legislativa de Alagoas e já conseguimos reunir três mil fotografias pertencentes a vários acervos”, informa Geraldo de Majella.

 

Edição da Folha da Manhã de 10 de abril de 1946 que noticia a transformação da Esquerda Democrática em Partido Socialista Brasileiro.

A história do PSB de São Paulo se confunde com a história do partido no Brasil, já que São Paulo, ao lado do Rio, foi a principal fonte de orientação política e ideológica da agremiação na sua primeira fase de existência, entre os anos de 1947 e 1965. O PSB se dispersou durante a ditadura militar, entre 1966 e 1984.

Professor Adami e Campos e Paul Singer fundador do PSB.

Instituído em 1947, o PSB paulista contou em suas fileiras com nomes como Antonio Cândido, Paul Singer e Sérgio Buarque de Hollanda. O grupo de pesquisadores de São Paulo, coordenado pelo advogado e cientista político Adami Campos, está reunindo um acervo que corresponde ao período de 1947 a 1965, com várias frentes de pesquisas, entre elas, o centro de memória do TRE, os arquivos do estado de São Paulo e o arquivo do PSB que está no acervo da Unesp. Segundo o professor Adami Campos, a coordenação da pesquisa em São Paulo entrevistaram em vídeo o economista Paul Singer, a historiadora e cientista política da UFMG Margarida Vieira e o historiador Alexandre Hecker, autor do livro Socialismo Sociável: História da esquerda democrática em São Paulo (1945-1965),

“nós estamos registrando a experiência de quem viveu e de quem estudou o período”, afirma Adami.

 

O disco “Cidadão” embalou a campanha vitoriosa do PSB ao governo do Amapá em 1994.

 

Ata da convenção provisória do PSB no Amapá em 1986

No estado do Amapá o partido foi criado logo após sua refundação, em 1985. A criação do partido naquela unidade amazônica da federação coincide com o período de transformação do Território Federal do Amapá em Estado com a Constituição de 1988, de lá para cá os socialistas governaram três vezes o Estado e duas a capital Macapá. Duas marcas fundamentais do PSB no Amapá são: a defesa do desenvolvimento sustentável para aquela região e a Transparência nas contas e serviços públicos, foi do Amapá a primeira iniciativa governamental de criar um portal da transparência e publicar na rede mundial de computadores, em tempo real, os gastos e receitas estaduais. A Lei 131/2009, que institui a obrigatoriedade da Transparência nas contas públicas em todas as esferas do poder público é de autoria do senador João Capiberibe (PSB-AP), que implantou a Transparência no Estado em 2002, quando o governava, tendo sido o primeiro ente público no Brasil a divulgar suas contas na internet. Segundo Augusto Oliveira, historiador, coordenador da pesquisa no Amapá,

“o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), desenvolvido durante a gestão de João Capiberibe no governo, é apontado por todas as fontes como uma política de impacto sobre aquela sociedade”. Oliveira destaca também o engajamento da classe artístico-cultural nas campanhas socialistas, “o acervo fonográfico das campanhas socialistas no Amapá é muito rico e inclui discos completos com músicas autorais para as campanhas”, conclui. 
 

A “cápsula do tempo” que Andréa Bonow guarda com os objetos históricos e a lembrança de seu pai, Germano Bonow, socialista pioneiro do Rio Grande do Sul.

Convenção Estadual do PSB em Porto Alegre

No Rio Grande do Sul a equipe liderada pelo historiador Gildo Silva optou por contar a história do PSB naquele estado dividindo-a em dois recortes: da fundação, a partir de 1946, quando o partido nasceu da esquerda democrática; e da refundação, a partir de 1985, quando o partido renasce em terras gaúchas e se espalha bastante pelo Estado. Além da capital Porto Alegre, os pesquisadores estão visitando acervos e entrevistando fontes em Pelotas, Rio Grande, Passo Fundo, entre outras cidades. A história de diversos ícones está sendo revisitada como a de Germano Bonow Filho, que foi fundador da esquerda democrática e do partido no Estado. O material foi carinhosamente guardado pela filha de Bonow, Andréa Bonow, e sobreviveu à invasão e depredação de seu escritório, que também era sede do PSB, em 1954, após o suicídio de Getúlio Vargas, e ao período da Ditadura Militar, onde qualquer material relativo a esquerda era considerado “subversivo”.

“Nós estamos recuperando material da época como os números de um jornal socialista chamado ‘A luta’, criado após a refundação, esse projeto vai servir par que os diretórios organizem o material existente e recupere aquele que está espalhado, nós adquirimos em sebos da cidade livros de João Batista Marçal que farão parte do acervo do PSB/RS”, afirma Gildo, que se diz muito feliz com o resultado da pesquisa até agora.
 

O livro do historiador Alexandre Hecker “Socialismo Sociável: História da esquerda democrática em São Paulo(1945-1965)” está disponível para acesso gratuito na internet no seguinte endereço: http://livros01.livrosgratis.com.br/up000042.pdf

 

 




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